|
1.
Kendo wa Rei ni Hajimari, Rei ni Owaru
O
Caminho da Espada inicia-se com "Rei", e finaliza-se com
"Rei". A palavra "Rei", neste caso, além
de significar cumprimento, saudação ou reverência
a alguém ou a um altar, possui um sentido mais profundo.
Aqui, ela contempla o "Reigi" (em japonês, Disciplina,
Respeito, Correta Conduta para se agir de acordo com as mais diversas
situações, pessoas e ambiente).
Um dos motivos que leva as pessoas a procurarem o Kendo, Iai ou
o Jo, ou até mesmo dos pais ingressarem seus filhos no Caminho
da Espada, é justamente a procura do "Reigi", infelizmente
desconsiderado por muitas pessoas hoje em dia. Mesmo num mundo em
que a concorrência e a ambição são tidas
como ferramentas para se alcançar seus objetivos, as pessoas
descobrem com o tempo, que é necessário auto-disciplina,
ética e respeito para com as pessoas e o ambiente.
Nao se pode, também, considerar que o "Rei" significa
simplesmente agir conforme o protocolo para aparentar boa impressão
aos outros. Isso apenas é mero cinismo, disfarce, falsidade.
Tal indivíduo ignora o verdadeiro sentido da palavra, como
também a utiliza somente para proveito próprio, infringindo
a moral e ética do Budo.
É nos momentos difíceis que a pessoa mostra o verdadeiro
EU. Quando os problemas surgem e/ou quando o stress domina o ambiente,
é quando podemos conhecer realmente a pessoa e seu caráter.
Muitos praticantes, após longos anos aprimorando os conhecimentos,
por motivos de estudo ou trabalho, entre outros, são obrigados
a afastar-se da prática, pelo menos por algum tempo. Existem
outros, porém, que por egoísmo e falta de compreensão
"trocam" de academia, como se troca de um carro por outro,
ou de uma loja para outra. Esse tipo de atitude é fortemente
condenada dentro do Caminho da Espada, pois é sabido que
o Dojo é sua segunda família. Da mesma maneira que
os pais transmitem conhecimento, experiência, amor e carinho
a seus filhos para serem felizes e se orgulharem quando crescerem,
é no Dojo, através dos mestres, seus veteranos e seus
companheiros que o praticante adquire e aprimora os conhecimentos
e a experiência necessária para que possa superar as
adversidades encontradas na vida, alcançar seus objetivos
e, assim, tornar-se pessoas de respeito e reconhecidas no futuro.
2. Bunbufuki no Seishin ni Motozuki, Benkyo to
Kendo ni Haguemimassu
Com
base na filosofia do "Bunbufuki", dedicamo-nos aos estudos
e ao Caminho da Espada.
Corpo e mente sãos ... Não basta um corpo forte e
sadio, é necessário o equilíbrio mental necessário
para desenvolver o verdadeiro potencial do individuo.
No dia-a-dia corrido que atravessamos, nas atividades de trabalho,
cursos, escolas, muitas vezes não damos muita importância
para a prática do Caminho e deixamos nos levar... Percebemos,
então, que nos tornamos irritados, perdemos a concentração,
não conseguimos a perfomance desejada. Nosso resultado está
ligado diretamente à nossa capacidade de absorver as informações
que nos são transmitidas, pela capacidade de focar nossa
atenção em determinada tarefa, em elaborar a melhor
estratégia para alcançar nossos objetivos, de ter
a resistência adequada a fim de superar o cansaço e
o stress que, aos poucos, vão se acumulando... Que é
moldado através da prática da Espada.... O correto
equilíbrio entre as duas partes desenvolve a energia vital
e o potencial do praticante, aumentando seu desempenho em todas
as suas funções.
É importante lembrar que aqui, a prática não
se restringe somente ao lado fisico. É um grande erro da
sociedade mensurar o indivíduo através de suas notas
escolares. Já se passou a época onde a escola era
responsável não somente pela educação,
acúmulo de conhecimentos, mas principalmente da educação
psicológica, moral e cívil do aluno.
Muitas empresas percebem, nos dias de hoje, que o desempenho do
estudante durante a faculdade não basta, e dão valor
aos valores morais, ao potencial interno do indivíduo. O
Dojo é a escola onde o praticante desenvolve todas as outras
habilidades que a escola deixou de se responsabilizar.
Até mesmo nas academias de hoje, procura-se passar somente
o lado esportivo e competitivo da arte, deixando enterrado seu mais
valioso valor.
Existe uma frase empregada pelos mais conceituados praticantes da
arte:
Perca 3 meses a procura de seu mestre, e não desperdice 3
anos de pratica inutil.
Somente quem procura encontra a sua resposta.
3.
Tadashii Kokoro, Tsuyoi Kokoro o Tsukurimassu.
Desenvolvemos
um espírito (coração) correto e forte.
O Japão, após a 2» Grande Guerra, sofreu danos inestimáveis,
materialmente e psicologicamente. Casas, cidades e indústrias
foram destruidas, familias separadas... Somente quem vivenciou a
guerra pode descrever o estado de espírito que se encontrava
nessa época.
Nessa situação, o que sustentou o Japão foi
o espírito, o "Kokoro" herdado dos antigos samurais.
Os samurais são conhecidos no mundo todo pelo seu espírito
de luta imbativel, qualquer que fossem as adversidades, e de sua
eterna busca da perfeição, através do código
do Bushido, onde descreve-se a conduta correta a ser tomada pelo
verdadeiro samurai. Essa influência ainda hoje é a
base de sustentação procurada por muitas pessoas,
que buscam o aperfeiçoamento do caráter, e também
um espírito forte para superarem as adversidades encontradas
no trabalho, nos estudos e no dia-a-dia.
4.
Tsuyoi, Rippa na karada to, Konjou o Kitaemassu.
Desenvolvemos
um físico forte e sadio, e fortalecemos nosso "Konjou".
Um dos principais objetivos buscados pelos praticantes do Saga,
é o fortalecimento de nosso espírito de sobrevivência,
de não desistir em frente as adversidades. Um espírito
de persistência capaz de superar os desafios que enfrentamos
durante o Caminho. Esse espírito é o que chamamos
de "Konjou".
Através dos árduos treinos com os mestres, veteranos
e companheiros, onde é requisitada a nossa total capacidade
de vencer nossas próprias fraquezas psicológicas,
desenvolvemos o "Konjou", ao mesmo tempo em que desenvolvemos
um físico "realmente" forte e sadio.
É o equilibrio que deve existir entre espírito e corpo.
5.
Kookenchiai no Seishin ni Motozuki, Mina to Nakayoku Shimassu.
Baseado
na filosofia do "Kookenchiai", relacionamo-nos corretamente
com todos.
Através da prática da espada, golpeando e sendo golpeados,
conhecemos em detalhes os pontos fracos e fortes de quem enfrentamos,
e entendemos seus pensamentos e suas táticas. Ao mesmo tempo,
descobrimos nossas próprias fraquezas e pontos positivos.
Esse tipo de relacionamento desenvolve a compreensão e entendimento
entre as pessoas, criando um sentimento de respeito e admiração
mútuos. Kookenchiai significa, em japonês, conhecer
o amor através da interação das espadas.
Os praticantes do Saga, sejam crianças, adolescentes, homens
ou mulheres, possuem objetivos, culturas e crenças diversas,
aparentemente com pouca afinidade entre si. Nessas circunstâncias,
a espada é a forma de se conhecerem e cultivarem o respeito
mútuo, que irá, através da prática,
criar um clima de solidariedade, amizade, admiração
e respeito.
6. Fubo no On wa Yama Yori mo Takaku, Umi Yori
mo Fukashi. Fubo e no Kansha o Wassuremassen.
A
gratidao a nossos pais é mais alta que a montanha e mais
funda que o mar. Nunca nos esqueceremos do sentimento de gratidão
para com eles.
Fortalece o dogma Kendo wa Rei ni Hajimari, Rei ni Owaru.
Antes e durante nosso crescimento, dependemos de nossos pais para
crescer, para nos tornarmos alguém e, um dia, independentes,
capazes de seguir na vida com nossos próprios pés.
Porém nunca devemos nos esquecer do amor, carinho, proteção
e tudo mais que fizeram por nós. É a gratidão,
expressada das mais variadas maneiras. Da mesma forma, o Dojo é
a casa, o mestre é o pai e os companheiros, seus irmãos,
na longa jornada da vida que escolhemos.
Todos juntos, moldamos nossa técnica, experiência,
caráter e espírito, alcançamos nossos objetivos
e prosseguimos no Caminho, muitas vezes tortuoso, dífícil
de ser superado. Mas, enfim, após chegar lá, lembramos
dos valiosos momentos proporcionados no Dojo, dos ensinamentos e
experiências transmitidas pelos mestres e da amizade e solidariedade
de nossos companheiros. Sem eles, não seríamos o que
somos hoje. Agradecer do fundo do coração e transparecer
esse sentimento nos seus atos, até a morte. A esse sentimento,
chamamos de gratidão.
A ingratidão é cuspir no prato que comeu.... Essa
atitude está longe de ser dígna de um praticante do
Caminho. |